Fado do Cacilheiro

 

Introdução falada ao estilo Zé Viana

Este fado…
vai para o Zé.

O Zé Viana, marinheiro dos cacilheiros e poeta de algibeira.
Que cantava Lisboa com o peito cheio de vida e um sorriso maroto na dor.

Ele sabia —
que há mais verdade numa viagem de regresso do que em mil partidas.

E por isso, este fado é dele.
Não o escrevi eu.

Escreveu-se no Tejo,
à tardinha,
entre o cheiro a suor, o peso dos dias,
e o voo das gaivotas que ainda acreditam…

…que a beleza pode ser só isto:
sentar-se na proa
e sonhar.

Ao Zé —
com saudade, com respeito,
com um riso escondido no canto da boca.

 

 

🎶
Fado do Cacilheiro

(Ao estilo de José Viana)

[Estrofe 1]
Cais do Sodré à tardinha,
tanta gente a caminhar,
ninguém olha pra ninguém,
só querem casa e jantar.

Rosto sério, passo apressado,
cheiro a suor no ar,
trabalhar cá, viver lá,
é vida de aguentar.

[Refrão]
Mas eu vou na proa sentada,
olhar perdido no Tejo,
Lisboa acende-se em ouro,
e eu voo no meu desejo.

Ganhei asas de gaivota,
fugi da dor e do tédio,
molhei-me na luz do céu
e sorri sem remédio.

[Estrofe 2]
O cacilheiro resmunga,
vai cheio de solidão,
leva sonhos aos trambolhões
no balanço do porão.

Ninguém diz boa tarde,
ninguém tem tempo pra ver
que a cidade fica linda
quando começa a escurecer.

[Refrão]
Mas eu vou na proa sentada,
olhar perdido no Tejo,
Lisboa acende-se em ouro,
e eu voo no meu desejo.

Ganhei asas de gaivota,
fugi da dor e do tédio,
molhei-me na luz do céu
e sorri sem remédio.

[Quadra final – tipo "despedida à lisboeta"]
Sou gaivota do entardecer,
sou marinheira do vento,
quem tem alma pra sonhar
nunca chega fora de tempo.

 

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