Meu Filho e o Mostrengo
Meu Filho e o Mostrengo
(Na IncrÃvel Almadense)
Na noite espessa, a luz do palco
era farol sobre um mar imaginado.
E o meu filho, firme no verbo,
vestia coragem em cada fado.
De frente ao Mostrengo,
não tremeu.
Trazia no peito a bússola dos fortes,
e na boca, o trovão de mil ventos.
“Que queres de mim, ó mar sem fundo?”
bradou com a alma, com punho, com fogo,
e o silêncio, rendido, ouviu.
O poema ergueu-se como vela,
e a sua voz — tua, Pessoa —
rompeu muralhas dentro de mim.
“E ouviu-se na noite uma voz como um punho,”
disse ele, e nesse instante
o mundo inteiro se amarrou
ao leme de El-Rei D. João Segundo.
E eu, mãe e plateia,
mãe e poema,
deixei que o orgulho me molhasse os olhos
como o mar molha a quilha de um navio antigo.
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