NO PALCO DO MINHO
Senhoras e senhores,
Que me perdoem o entusiasmo — mas é que esta noite o Minho veio inteiro bater-me à porta do peito!
Não vos trago apenas uma canção. Trago-vos um sonho — que se ergueu de madrugada, com o orvalho a brilhar no pensamento de quem ainda sonhava com lenços bordados, saias rodadas, e corações de ouro ao peito.
Uma mulher — poderia ser de Viana, de Ponte de Lima ou de qualquer terra onde a alma portuguesa se veste de festa — ergueu a sua voz.
E nesse instante, o paÃs todo parou.
Porque quando o Minho canta, não é só o povo que dança.
É Portugal inteiro que lembra quem é.
Com vossas palmas e com a bênção dos céus, escutemos agora…
“É o coração do paÃs / a bater no mesmo triz!”
NO PALCO DO MINHO
[Estrofe 1]
Acordei com um malhão,
lá do fundo da lembrança,
era o Minho em procissão,
era a dança da esperança.
Lenços altos no cabelo,
saias de roda a rodar,
e a voz do Pedro Mello
a chamar pra começar:
[Refrão]
— Vejam o Minho a cantar!
— Vejam o povo a bailar!
Com tamancos no terreiro,
dança o tempo verdadeiro.
É o coração do paÃs
a bater no mesmo triz!
[Estrofe 2]
No palco feito de pedra,
com rosmaninho e rosário,
vinha o cheiro a festa antiga
misturado com o sagrado.
As mulheres, como rainhas,
pisavam o chão bendito,
e no ar, mil andorinhas
faziam do céu um grito!
[Refrão]
— Vejam o Minho a cantar!
— Vejam o povo a bailar!
Com tamancos no terreiro,
dança o tempo verdadeiro.
É o coração do paÃs
a bater no mesmo triz!
[Ponte – falado, Ã maneira de Pedro Homem de Mello]
"Senhoras e senhores...
Este não é só folclore.
É a alma das avós,
é o sangue dos lavradores,
é o Minho que não morre —
canta com mil vozes e nós!"
[Último refrão – mais forte, com eco ou coro]
— Vejam o Minho a cantar!
— Vejam o povo a bailar!
Com tamancos no terreiro,
dança o tempo verdadeiro.
É o coração do paÃs
a bater no mesmo triz!
[Final – repete em fade ou com aceleração de chula]
É o coração do paÃs…
a bater no mesmo triz…
a bater no mesmo triz…

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