SE EU MORRER...

 

SE EU MORRER...

(de mim e de ti — que estiveste quando eu precisei nascer poema)

Se eu morrer de manhãzinha,
já deixei o meu recado ao Sol:
que me leve até bem perto de si
e que me queime na sua energia.

Mas se eu morrer à tardinha,
já pedi aos passarinhos
que todos deixem os ninhos
e que voem sem parar,
e me tragam minhas asas
para eu poder voar.

Mas se eu morrer à noitinha,
já disse ao Bobi e à Nina,
ao Pretinho e à Pituxinha,
com o Max e a Leo a comandar,
que eu tenho medo do escuro,
e assim ganho confiança
para o escuro atravessar.

Mas se eu morrer ao romper da aurora,
aí…
aí quando eu morrer morrer…
morri.

E talvez — talvez nem uma pessoinha me faça falta
no meu funeral.
Mas que importa?
As minhas palavras já foram.
As minhas asas já sabem o caminho.
E há quem me guarde
onde não morre ninguém.

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