As Mil Vidas da Minha Vida

 



Vivi mil vidas na vida que levo,
fui criança de riso e segredo,
fui sonho em corrida sem freio,
fui mar, fui barco, fui remo.

Fui flor na janela esquecida,
fui asa caída no chão,
fui mulher com alma partida,
fui abraço, fui contradição.

Em cada vida, perdi-me e achei-me,
fui pedra, fui brisa, fui dor,
fui silêncio que grita por dentro,
fui sombra que busca calor.

Já fui filha, já fui mãe, já fui nada,
fui poesia, fui prosa, fui fim,
e no eco das vidas vividas
ainda guardo um começo em mim.

Mil vidas teci como mantas,
uns pedaços ficaram no mar,
outros voam nas tardes distantes
a ensinar-me, de novo, a amar.

E se um dia estas vidas se fecham,
sei que outras mil vão surgir.
Porque sou feita de vidas inteiras
e ainda tenho mil por abrir.

 


 

 

Poema Tianela 

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